1916 a 1996: 80 anos de glória desportiva em Vespasiano
– Relato de Nonô de Ingo no Jornal Comemorativo de 80 anos do Vespasiano Esporte Clube.
Bola no pé de Nonô de Ingó era garantia de um bom serviço aos atacantes, que só tinham o trabalho de concluir para as redes. Nonô poderia dominar a bola, deixar o companheiro na “cara” do gol e dizer: “toma, nêgo, faz!”. Não poderia faltar o seu depoimento nesta edição comemorativa dos 80 anos do Vespasiano Esporte Clube. Com vocês, nosso amigo Nonô de Ingó.
Por: Geraldo Raimundo Araújo (Nonô de Ingó)
“Vespasiano Esporte Clube, honra e glória de um passado memorável no esporte amador – futebol – de nossa cidade. Fez-se a cidade de Vespasiano conhecida por toda Minas Gerais através do seu futebol, jogado pelo Vespasiano Esporte Clube, e que nesta data comemora seus 80 anos de existência.
Graças à ação de dedicados desportistas, no dia 27 de setembro de 1916 era formada em Vespasiano uma agremiação esportiva que tinha como objetivo congregar todos em torno da bandeira do Vespasiano Esporte Clube, hoje uma das mais conhecidas do interior mineiro. Sua primeira diretoria, a que deu início à vitoriosa jornada e que permitiu que chegássemos até hoje, sobrevivendo à custa de muitos sacrifícios, transpondo barreiras difíceis, a nossa homenagem. Presidente, Romeu Romanelli; vice-presidente Dr. Miguel Timponi; 1º secretário João Silva; 2º secretário Dr. Francisco Silva; 1º tesoureiro João Barbosa da Fonseca; 2º tesoureiro José Emídio Silva; diretor esportivo Antônio de Oliveira (Totó) e treinador, Manoel Antônio de Araújo (Seu Ingô). Rendemos homenagens póstumas a estes integrantes da primeira diretoria do VEC. Nossas saudades.
Quando o Vespasiano Esporte Clube completou 44 anos de sua fundação, possuía um plantel de destaque. No cômputo geral de suas atividades somou 77 vitórias, 14 empates e 6 derrotas apenas. Naquela época, em 1952, o plantel do VEC impunha respeito por onde passasse. Seu técnico era Rui Barbosa da Fonseca, o Rui da Varginha, que em tempos idos foi um dos mais destacados valores e naquele ano seu treinador. Tinha sob seu comando os seguintes jogadores: Alcides, Barão e Mormella; Mundico I, Américo e Santana; Mundico II, Barroso, Dute, Ceci e Alípio.
O Vespasiano Esporte Clube contou também com o incansável e entusiasta desportista que foi José Aguiar Pinto Coelho, promovendo jogos e tornando o clube conhecido e respeitado nas esferas futebolísticas das Alterosas. Lembremos uma das passagens do Vespasiano Esporte Clube.
Em 1953 aconteceu um bom jogo amistoso domingueiro, quando recebeu em seu campo o visitante Vila Nova, um dos papões do futebol mineiro. Jogo memorável. Os gols: aos 7 minutos Toninho completava com êxito uma boa jogada, não dando oportunidade ao goleiro Mussula. Jaime empatou para os visitantes cobrando pênalti. Dirceu colocou o Vespasiano em vantagem e Didi empatou novamente, tudo isto no segundo tempo. Aos 27 minutos Adílio fez VEC 3×2 e Jaime empatou para o Vila aos 37, fechando o marcador. Os times atuaram assim: Vila – Mussula, Valdir, Joel e Baleny; Lito e Eleotério; Ubaldo (Fuzil), Jaime, Zé Emílio (Hélio), Didi e Calói; Vespasiano – Toninho, João Araújo, Índio e Joaquim; Tito e Nonô de Ingó; Jairo, Adílio, Dirceu, João de Deus e Toninho Rocha.
Campanhas inesquecíveis foram empreendidas sob a orientação de José Aguiar, nesse época diretor de esportes. Comemorou 49 partidas invictas, num jogo em Curvelo. Vale a pena citar uma das promoções de José Aguiar. Estamos em 1958: o Olaria Futebol Clube, do Rio de Janeiro, estava fazendo excursão por Minas Gerais. Nas suas idas e vindas a Belo Horizonte, José Aguiar conseguiu convencer os dirigentes daquele clube a fazer um amistoso com o Vespasiano. Alvoroçou-se a cidade. Um clube profissional carioca jogar no campo do Vespasiano? Era a glória!
Para conseguir esse intento, foi acertada a quantia a ser paga ao citado clube: vinte mil cruzeiros. A muito custo, com subscrições foram arrecadados os cruzeiros para que se realizasse o tão esperado jogo. E finalmente chegou o dia aprazado. Num domingo, o Olaria, time mais experiente e com um plantel muito bom, derrotou o Vespasiano, pouco afeito a partidas interestaduais. A equipe desarvorou-se, dando oportunidade ao Olaria de vencer o jogo pelo placar de 5×1. Isto aconteceu no dia 8 de março de 1958. Jogaram nesse dia pelo Vespasiano: Toninho, João Araújo e Joaquim; Tito, Batista e Marcílio; Jairo, Tarcísio, Zezé, Nonô, João de Deus e Toninho Rocha.
E assim, sempre fortalecidos pelo entusiasmo das promoções e coleguismo, cresceu o Vespasiano Esporte Clube. Invencível sob a orientação de José Aguiar, técnico por vários anos e que faleceu em 25 de janeiro de 1983. A ele nossas saudades.
Citamos Afonso Silva, várias vezes campeão mineiro pelo Atlético e zagueiro da seleção mineira inúmeras vezes; Batista (Atlético), Buião (Atlético, Flamengo, Corinthians e outros), Éder (Atlético, Grêmio, São Paulo, Cruzeiro e Seleção Brasileira, entre outros) e outros mais que atuaram em clubes no Estado e fora dele.
Aí estão alguns dados que forneço orgulhosamente como ex-jogador do Vespasiano Esporte Clube, de 1945 a 1963. Muitos jogadores hoje são saudades, aos quais rendemos nossas homenagens póstumas: Zé Lobo, Joaquim, João Araújo, Hugo, Valdemar Pampulha, Paulo, Rui da Varginha, Dedeu e Ubaldo.”

