Poesia de Geraldo E. Fagundes
A saudade o peito apoquenta
quando alguma coisa nos faz recordar
No final dos anos cinquenta
ou princípio dos anos sessenta
No velho campo, o VEC a jogar.
VEC do Toninho meio quilo
quinhentos gramas?
Não! Quinhentas toneladas
Era o Toninho no gol a pegar.
E o Juca zagueiro?
que era outro grande goleiro.
pobre adversário impotente
por mais que mil vezes tente
e nada da bola entrar.
E o Marcílio, na lateral
do seu lado, tomando conta
podia vir qualquer ponta
até o fulano-de-tal.
João Araújo
João “profissional”.
Bola alta ou jogo, rasteiro
toque de bola ou jogo ligeiro
atacante tentava
Mas não passava.
Com João a bola ficava.
E de alívio “seu” Ingó suspirava
Zé metido, Núbio e Daniel
Esse trio, a zaga completava
com esta super defesa
nenhum atacante aprontava.
Do meio do campo, Nonô lançava
aquilo sim era pontaria
atacante podia correr
porque na frente receberia.
Pois o grande Nonô de Ingó,
punha a bola onde ele queria,
e o nosso ponta de lança,
mais um gol logo fazia.
José Silva era o “Zé Lobo”
Só de vê-lo jogar
adversário ficava bôbo
Uns dizem que o Batista
de bola quase tudo sabia
outros dizem que é bobagem.
Pura lenda!
A bola é que obedecia
e fazia tudo
aquilo que o Batista queria
João de Deus!
Que ligeireza!
Como jogava
Que destreza!
Até os ateus, que desatino!
Pensavam, acreditavam
Que era Deus
Aquele seu toque divino.
Toninho “Grindeli”, como driblava!
Fingia que ia e não ia, ficava
e o lateral ia, igual vaca brava
Toninho fingia que ia e ia,
passava.
E o lateral, coitado!
Caía! Rolava!
Jairo, que chute poderoso!
Que nenhum goleiro segurava.
Outros, dizem
que só era perigoso
– quando da pequena área
– da grande área
– da intermediária
ou – do meio de campo –
o chute que o Jairo dava.
Mas, só sabemos que a nostalgia,
sempre vem, e sempre é frequente,
dói o peito, dói na gente,
quando junta com a saudade
que toda torcida sente
do Vespasiano de antigamente.

