Por Marcello Viana
Embora não haja documentação completa sobre todas as temporadas, nomes recorrentes e relatos de partidas permitem supor que muitos daqueles jogadores formaram a base que representou o VEC nesse ciclo pioneiro do futebol mineiro.
Por falta de registros mais aprofundados, adotamos como referência simbólica dessa geração a escalação do confronto de 13 de novembro de 1932, quando o Vespasiano enfrentou o tradicional Villa Nova (atual Villa Nova Atlético Clube), em partida que terminou com vitória adversária por 2 a 1. O jogo, além de histórico, oferece um raro retrato nominal de quem defendia as cores azul e branca do clube naquele momento (e pela diferença de idades, podemos supor que muitos deles podem ter atuado na década de 20 e alguns na década de 40).
A formação foi a seguinte:
Alcides; Barão e Mormela; Mundico, Américo e Guerino; Rezende, Teixeira, Barroso, Alípio e Dute.
O esquema tático seguia o modelo clássico da época, o tradicional 2-3-5, predominante no futebol brasileiro das primeiras décadas do século XX. Dois defensores, três médios (os “half-backs”) e uma linha de cinco atacantes compunham um time ofensivo por natureza, mas que exigia enorme vigor físico e disciplina coletiva.
Na defesa, Alcides, como goleiro, representava a última trincheira em tempos de campos irregulares e bolas pesadas. Sua presença em um confronto contra adversário de expressão indica confiança e prestígio. À sua frente, Barão (que gerou uma linhagem de jogadores que serviram o VEC e o futebol brasileiro como Buião, Geraldinho, Paulinho, Eduardo e Zé Cabeção) e Mormela (possivelmente pai do lendário goleiro Toninho Mormela) formavam a dupla de zaga, responsáveis por sustentar praticamente sozinhos a retaguarda, função que, naquele contexto, exigia força, posicionamento e coragem.
O meio-campo era composto pelos “half-backs”: Mundico, Américo e Guerino. Entre eles, Américo se destaca nas narrativas preservadas como um dos “brigadores da época”, alguém que defendia o Vespasiano “com unhas e dentes”. Essa descrição revela muito mais do que estilo de jogo: aponta para liderança, identidade e comprometimento com o clube. Os médios eram o elo vital entre defesa e ataque, acumulando funções de marcação e distribuição, verdadeiros pulmões da equipe.
No setor ofensivo, a linha de cinco reunia Rezende, Teixeira, Barroso, Alípio e Dute. O nome de Dute ficou marcado por ter anotado o gol do Vespasiano naquela partida, garantindo-lhe registro concreto na memória histórica do clube. Alípio, por sua vez, aparece listado entre os homens de frente, o que indica atuação avançada, possivelmente como meia-atacante ou segundo atacante. Sua posição ao lado de jogadores ofensivos e a ausência de qualquer indicação defensiva reforçam a ideia de que era peça do setor criativo ou finalizador.
Em trechos sobre a campanha no mineiro e em jogos da época outros jogadores foram mencionados como fazendo parte do elenco, tais como o goleiro Murce, os defensores Mundico II e Nelson, e os avançados Barroso, Cecy e Renato. Tendo Cecy certo destaque na época. Em um dos recortes suas qualidades são registradas da seguinte forma: “apesar de não possuir grande físico, é ótimo elemento; ágil, bom driblador quando se faz necessário e excelente oportunista”.
Esse conjunto de nomes, mesmo com documentação fragmentada, permite vislumbrar uma geração que ajudou a consolidar o Vespasiano Esporte Clube em seus primórdios. Eram tempos de estrutura simples, mas de grande entrega e rivalidades intensas. Enfrentar o Villa Nova em 1932 já demonstrava a inserção do clube em um cenário competitivo relevante no futebol mineiro.
Outros nomes que também aparecem em trechos fragmentados mas que ilustram grande participação na época, São: Bertulino, Zé Sobrado, Ingó, Jove, Raimundo Salomão, Guerino, Alberci, Nelson Silva e Wilson da Varginha, todos foram jogadores do VEC nos anos 1920 e início da década seguinte, o que indica a formação de equipes competitivas e respeitadas na região.
Também foi possível captar relatos sobre alguns jogadores que atuaram em algum momento da época de 40, há menção a um elenco com jogadores como Florentino, Zé Lobo, Afonso Bandejão, Paulo, Sinval, Rui Barbosa, Batista, Nonô de Ingó, Zé Metido e Marcilio, o que mostra a continuidade do clube na década seguinte.
Esses nomes, embora esparsos, confirmam que o Vespasiano manteve atividades regulares e disputou jogos ao longo dessas décadas, mesmo que os registros oficiais sejam muito limitados.

