Por Tardes de Pacaembu
11 anos sem vitórias contra o Santos em partidas pelo campeonato paulista enlouqueceram Wadih Helu.
Na impossibilidade de contratar Pelé, o presidente do Corinthians trouxe Lula, o lendário técnico do esquadrão praiano, cuja principal missão não ficaria limitada ao tão sonhado título paulista.
Bastaria apenas derrotar o Santos e acabar com o martírio do tal tabu!
Para tentar dobrar Coutinho, Pelé e sua turma, Wadih Helu levou em conta os conselhos do recém chegado técnico Lula e saiu correndo atrás de reforços.
O decidido cartola alvinegro foi até Belo Horizonte e desembolsou 400.000 mil cruzeiros para contratar o ponteiro-direito Buião, mesma posição de Paulo Borges, que pouco depois também foi contratado junto ao Bangu.
Filho do casal José Sérvulo dos Santos e Inah Vercesi dos Santos, João Bosco dos Santos nasceu no município de Vespasiano (MG), em 31 de julho de 1946.
Precisando ajudar nas despesas da casa, o rapazola trabalhou como ajudante, engraxate, faxineiro, relojoeiro e até consertando bicicletas.
Mas foi nos gramados que o jovem João Bosco encontrou seu ganha pão. Ficou conhecido como “Buião”, um apelido que nasceu do formato de um botijão de gás, quando ainda era apenas um gordinho metido aos prazeres da bola.
Buião permaneceu até os 15 anos de idade jogando como meio-campista do Vespasiano Esporte Clube (MG).
Aos 16 anos já disputava os desafios da Segunda Divisão do campeonato mineiro pelo Independente Futebol Clube, também da cidade de Vespasiano.
Em 1964 foi encaminhado para um período de experiência no Clube Atlético Mineiro. Quem colocou fé no futebol de Buião foi o tio, um sujeito conhecido na região de Vespasiano como “Afonso Bandejão”.
Depois de alguns dias de treinamento, Buião fez sua primeira participação no elenco principal do Atlético Mineiro. Foi em uma partida contra o Paraisense de Pará de Minas, quando inclusive marcou o gol da vitória por 1×0.
Buião era um típico ponta de linha de fundo, que sabia combinar muito bem habilidade e velocidade. Baixinho e carismático, o ponteiro-direito logo virou ídolo da grande massa atleticana, que na época sofria com o domínio do Cruzeiro!
Em 1966, a bom momento foi reconhecido na Seleção Brasileira. Valorizado, o preço da fama foi uma transferência inesperada!
Em 1968, com o aparecimento do promissor Vaguinho, os dirigentes mineiros aceitaram negociar o passe de Buião com o Sport Club Corinthians Paulista.
E o presidente do Corinthians, Wadih Helu, desesperado por um título paulista, mostrou que também estava certo em trazer Paulo Borges, outro jogador da mesma posição de Buião.
Em sua primeira partida pelo Corinthians, Buião foi determinante na vitória sobre o Santos por 2×0, noite em que o malfadado tabu finalmente foi para o espaço!
Naquela inesquecível quarta feira de 6 de março de 1968, Buião foi escalado como ponta-direita, enquanto Paulo Borges foi escalado na meia-direita.
Contudo, Buião sofreu muito em sua adaptação na cidade de São Paulo. Cobrado pelos dirigentes, imprensa e torcedores, o atacante mineiro foi aos poucos perdendo confiança e acabou no banco de reservas.
Pouco depois da tragédia que vitimou Eduardo e Lidu, Buião foi emprestado para a Associação Ferroviária de Esportes de Araraquara (SP), em 1970.
Quando voltou de Araraquara, Buião encontrou o promissor Vaguinho, outro um ponteiro mineiro que chegou com muito prestígio ao Parque São Jorge.
Dessa forma, Buião quase foi parar no Internacional de Porto Alegre, mas acabou emprestado novamente ao Clube de Regatas do Flamengo (RJ).
Pelo Corinthians, entre 1968 e 1970, Buião disputou 57 compromissos. Foram 22 vitórias, 20 empates, 15 derrotas e 2 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.
No Flamengo, Buião também fez boas partidas. Todavia, os “cartolas” da Gávea julgaram alto o investimento para ficar com seu passe em definitivo.
Conforme registros do Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf , o atacante disputou 42 partidas; com 15 vitórias, 17 empates, 10 derrotas e 5 gols marcados.
Terminado o empréstimo com o Flamengo, Buião voltou ao Corinthians para em seguida ser emprestado novamente ao Clube Atlético Paranaense (PR).
Começou assim uma longa permanência no Paraná; uma caminhada que só foi interrompida quando passou pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Rio Negro de Manaus e pelo Sampaio Corrêa do Maranhão.
Depois do Atlético Paranaense, Buião defendeu o extinto Colorado do Paraná em 1977, onde finalmente conseguiu seu único título estadual em 1980, uma conquista dividida com o Cascavel.
Em 1983, Buião deixou o futebol para dedicar o tempo no segmento de transportes.
Conforme reportagem publicada pela revista Placar em 26 de julho de 1985, Buião empregou seu capital na construção de uma sólida empresa de ônibus, um negócio que toca ao lado da esposa.

