O atleta mais antigo do Vespasiano Esporte Clube, Sr. Jonas Ricardo, foi entrevistado pelo Jornal Comemorativo dos 80 anos do VEC, em setembro de 1996, quando estava com 87 anos de idade. Na entrevista, ele relembrou o primeiro campo do Vespasiano, que ficava nos fundos da casa do Sr. João Roque, ex-juiz de paz da cidade.
Esse campo existiu por pouco tempo e, posteriormente, foi transferido para a Rua Francisco Lima, conhecida como Rua do Sapo, em um terreno emprestado por Guilherme Rocha. “Lembro que, na inauguração desse campo, aconteceu uma briga danada”, conta Jonas. Esse episódio, porém, é considerado uma exceção na história do VEC, clube que sempre foi reconhecido como uma equipe ordeira e pacífica, respeitada pelos adversários.
Segundo Jonas, na década de 1920 o campo do VEC chegou a ficar por pouco tempo no local onde hoje se encontra a Praça de Esportes da cidade, mas logo retornou para a Rua Francisco Lima, onde o campo foi definitivamente construído. Ele faz questão de citar alguns nomes importantes da época: João Correia, João de Deus e Totó, naturais de Nova Lima; Ingó; Francisco Ramalho (Chico); Pedro Tercetti (Pira); além de Paulo Cota Fonseca, o “Seu Paluca”, responsável por conseguir o maquinário necessário para a construção do campo, entre muitos outros colaboradores.
Jonas jogou no Vespasiano desde os 10 anos de idade até o ano de 1936. Presenciou várias enchentes que inundaram o campo e toda a parte baixa da cidade, sendo a primeira delas em 1924. Uma das formações do VEC que ele nunca esqueceu foi: Bertulino, Mormela e Zé Sobrado; Ingó, Jove e Raimundo Salomão; Guerino, Zé Emídio, Seu Wilson da Varginha, Raimundo Silva e Sertório.
Naquele tempo, a vida em Vespasiano girava em torno do futebol. O campo era o principal ponto de encontro da população. O VEC recebia visitas de grandes equipes, como o Palestra Itália (atual Cruzeiro), Vila Nova, Siderúrgica e América. Jonas ressalta que, embora hoje a juventude tenha mais opções de lazer, acredita que a força sadia e alegre do futebol de várzea não pode — e não vai — acabar.

